Elena Ferrante e a tetralogia napolitana

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É bem provável que você tenha ouvido falar sobre, ou até visto em destaque nas livrarias, a tetralogia de Elena Ferrante. Lançado pela Biblioteca Azul, o romance que tem uma personalidade bem marcante, e o próprio anonimato da escritora, geraram um burburinho (bom e verdadeiro) em torno da chamada “série napolitana”.

Elena é na verdade um pseudônimo adotado pela autora, que não revela o rosto e nem mesmo responde entrevistas que não sejam relacionadas ao seu trabalho. Sabe-se que nasceu em Nápoles, e embora haja grande especulação sobre sua verdadeira identidade e origem, nenhuma informação é confirmada por ela, que nega que tal mistério seja responsável pelo interesse por seus livros, e garante que todo sucesso é mérito do próprio romance.

Não foi a capa e nem mesmo o título que me chamaram atenção e despertaram para compra do primeiro livro (aliás, capa e título não fazem jus à obra!). “A amiga genial” chegou até mim por indicação de alguém que sabe muito sobre o que gosto de ler, e de fato a história me envolveu e fui comprando o próximo livro antes mesmo de terminar a leitura do anterior.

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Preciso confessar que o início do romance era muito detalhista, com enredo pesado, e tive a sensação que seria cheio de rodeios. Recorri a quem me indicou a leitura, e ele confirmou: “as cem primeiras páginas são cansativas, mas insista que vale à pena”. E foi exatamente assim! Passado aquele início, devorei as páginas numa ansiedade que durou meses!

De uma maneira bem geral, o romance conta a vida de duas amigas, Lenu e Lila, da infância à velhice. Trata-se inicialmente do período pós-guerra, nos anos 50, e a maior parte história se passa no sul da Itália, precisamente em um bairro pobre de Nápoles, onde as duas nasceram, cresceram e permaneceram (ou voltaram). A realidade é de grande violência, abusos, ameaças e desigualdade social. A época é marcada pelo início do movimento feminista, e o livro passa e também retrata grandes movimentos históricos de uma maneira muito natural e cotidiana.

Apesar de todo contexto e cenário difíceis, o enredo principal é sobre uma relação de influência e amizade. Sabe aquela história que te familiariza e você se identifica com os personagens, com alguma situação que já viveu? É bem por aí… Lenu e Lila são amigas da vida, e a interação das duas é tão intensa, que é impossível não tomar partido por elas e não se interessar pelo que enfim aconteceu na trajetória das duas! Naturalmente você se reconhece com aquele amigo de quando ainda estavam na escola, que te despertava admiração e uma reação competitiva quase instintiva, sabe? O fato é que a proximidade da narrativa e a clareza da escrita facilitam o envolvimento com a história do primeiro ao último livro.

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Longe de qualquer spoiler, a tetralogia aborda de uma maneira bem contada as brincadeiras da infância, as relações familiares, a descoberta dos sentimentos, o casamento precoce, as viagens, o divórcio, a realização profissional, a pressão da sociedade, os filhos, os amores em todas as idades e situações, o amadurecimento e enfim os desfechos mais improváveis.

É um belo exemplo de “romance de formação”,  já que a história conta sobre a vida das personagens desde quando eram crianças, e assim é possível acompanhar a formação moral, sentimental e psicológica delas, de acordo com as situações vivenciadas por cada uma. A grande vantagem de tudo isso, é compreender e poder pensar sobre, por exemplo, atitudes tomadas por elas na vida adulta que são reflexo de uma experiência da infância.

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Enfim, os quatro livros me tomaram alguns meses e renderam boas reflexões e expectativas. Já me perguntaram se era “livro de mulherzinha”, e posso garantir que não. A série é surpreendente e corresponde à todas as apostas positivas que a crítica fez!

 

Raíssa

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